quarta-feira, 14 de março de 2012

Professores da rede pública param por três dias

Professores da rede pública param por três dias

Eles reivindicam o cumprimento do piso salarial nacional


RENATO COBUCCI
escola
Aulas foram suspensas parcialmente na Escola Governador Milton Campos (Estadual Central)


Professores da rede municipal e estadual de educação em Minas Gerais entraram de greve nesta quarta-feira (14). A paralisação está prevista até a próxima sexta-feira (16) quando será realizada uma assembleia da categoria. Eles reivindicam o cumprimento do piso salarial nacional.

Pela manhã, os professores municipais se reuniram em uma manifestação em frente à Secretaria Municipal de Educação. À tarde, por volta das 13h30, na Câmara Municipal, está marcada uma audiência pública da Educação Infantil.

Na quinta-feira (15), está prevista grande uma manifestação na porta da Prefeitura de Belo Horizonte. Os motoristas que passarem pela região central deverão ficar atentos, pois o trânsito pode sofrer alterações.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (SindRede-BH), a previsão é de que 80% da categoria paralise suas atividades. Na Escola Municipal Francisco de Paula, no bairro Cinquentenário, região Oeste de Belo Horizonte, dos 57 professores que trabalham no período da manhã, apenas sete aderiram à greve.

Além do cumprimento do piso salarial nacional, os professores municipais reivindicam garantia do tempo de planejamento de aulas, organização coletiva e a formação, a reunificação da carreira docente, solução dos problemas do pessoal do caixa escolar, além da recomposição de perdas salariais.

Algumas escolas estaduais do Estado também paralisaram suas atividades. No entanto, o balanço de quantas unidades foram afetadas pelo movimento sairá somentr na quinta-feira (15).

Nas escolas estaduais Governador Milton Campos (Estadual Central), no bairro de Lourdes, e Maestro Villa Lobos, no bairro Santo Agostinho, ambas na região Centro-Sul, as aulas foram suspensas parcialmente. No ano passado, a greve dos professores da rede pública em Minas, ocorrida em agosto de 2011, durou 112 dias.

Movimento nacional
Professores de escolas públicas municipais e estaduais do país prepararam diversas mobilizações para cobrar o cumprimento do piso nacional do magistério. Criada em 2008, a lei determina um valor mínimo que deve ser pago a professores com formação de nível médio e jornada de 40 horas semanais. Para 2012 esse valor foi definido em R$ 1.451, mas alguns estados e municípios pagam menos do que determina a regra.

Além de Minas, os professores de outros 18 estados (Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, São Paulo, Roraima, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Rio Grande do Sul e Tocantins) pretendem parar as aulas durante os três dias. Apenas no Espírito Santo os professores não devem aderir à convocação nacional. Ainda assim, docentes de três municípios (Cariacica, Viana e Vila Velha) programaram greves até o final desta semana.

A Confederação Nacional das Trabalhadores em Educação (CNTE) sugere que durante os três dias as atividades nas escolas sejam suspensas, mas cada sindicato está organizando a mobilização de acordo com a pauta de reivindicação local. Em algumas redes de ensino, a paralisação será parcial. Em outras, os professores promoverão passeatas, assembleias e atos públicos. Na sexta-feira serão realizadas assembleias nas sedes dos sindicatos para decidir a continuidade da paralisação.

Além de cobrar o cumprimento da Lei Nacional do Piso do Magistério, a paralisação nacional também defende o aumento dos investimentos públicos em educação. A CNTE quer que o Plano Nacional de Educação (PNE), que tramita na Câmara dos Deputados, inclua em seu texto uma meta de investimento mínimo na área, equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), a ser atingida em um prazo de dez anos.

De acordo com informações da CNTE, 17 Estados não pagam o piso de R$ 1.451,00 anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) e o mesmo número não cumpre a jornada extraclasse definida por lei. A paralisação pretende atingir funcionários das escolas públicas das redes estadual e municipal, segundo o CNTE, que ainda não tem um balanço sobre a adesão dos trabalhadores no primeiro dia de paralisação.

* Com agências Brasil e Estado

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