André Brant
Alvimar Perrella - Polícia Federal
Gilmar deixa o prédio da PF, em BH, após depoimento nas investigações da operação Vaca Atolada

O irmão do senador Zezé Perrella (PDT), Gilmar de Oliveira Costa, foi indiciado na última segunda-feira (4), após prestar mais de uma hora de depoimento à Polícia Federal (PF). Outros empresários de ao menos cinco frigoríficos mineiros devem ser indiciados como resultado da operação Vaca Atolada.

Os investigados são acusados de alterarem o peso e valor nutricional de carnes fornecidas a órgãos públicos por meio de licitação, além de formação de quadrilha. A pena para estes tipos de crimes pode chegar, se somadas, a 12 anos de prisão.

As empresas também revendiam o produto ao consumidor comum. Por isso, a expectativa é de que, após a conclusão do inquérito da Polícia Federal, o caso tenha desdobramentos na esfera de lesão ao consumidores.

Gilmar é dono da GN Alimentos. No inquérito, ele sustenta que as carnes com suspeita de adulteração eram adquiridas da Cristalfrigo, de propriedade de Ivan Costa Sander, também indiciado. O proprietário da Supremo, Sandro Silva Oliveira, foi outro alvo da mesma medida. “Não sei do que se trata. Ñão tenho nada a dizer”, disse Gilmar ao Hoje em Dia pouco antes de ser ouvido pelos federais.

Cristalfrigo, GN e Fridel – todas acusadas de adulterar carnes – são investigadas em outro procedimento, desta vez do Ministério Público Estadual, por suspeita de formação de cartel. Durante a operação Vaca Atolada, por coincidência, foram apreendidos documentos da Cristalfrigo dentro da GN.

Na esfera da investigação da Polícia Federal, ficou comprovado, por meio de laudos e perícias, a fraude nas carnes vendidas. A Supremo e a Cristalfrigo forneciam alimento para o Exército e para a Aeronáutica. Antes da operação da PF, o Exército chegou a devolver carregamento de carne.audo da entidade diz que o produto possuia “manchas e fraudes por injeção de líquido”.


Planilhas

Documentos apreendidos nas empresas mostram planilhas com percentuais de injeção do composto nas carnes que chegam a 47% do peso. As empresas são acusadas de utilizar máquinas de injeção de temperos para colocar nas peças compostos à base de água.

E-mails trocados entre funcionários da Supremo mostram a fraude. “Com injeção dá para fazer este preço”, diz uma funcionária a outro integrante da empresa. Outros depoimentos deverão ser colhidos nos próximos dias.


Empresas tiveram os contratos prorrogados

Além da Polícia Federal, a família Perrella enfrenta problemas com o Ministério Público Estadual sob a acusação de fraude na merenda escolar e em contratos com penitenciárias mineiras. No ano passado, foi desencadeada a operação Laranja com Pequi cujo alvo foi a Stillus, do ex-presidente do Cruzeiro Alvimar Perrella.

Após a operação, os contratos com o governo sofreram ameaça de serem cancelados. Porém, levantamento feito pelo Hoje em Dia mostra que mesmo depois da operação Laranja com Pequi os contratos chegaram a ser prorrogados e aditados. Eles passam dos R$ 50 milhões.

Arte Perrella

As provas da operação foram anuladas, porém, o inquérito civil prossegue, mas o caso ainda tramita na Justiça. Também existem investigações sobre formação de cartel entre empresas do ramo alimentício. Os irmãos Perrella sempre negaram qualquer tipo de irregularidade e fraude em licitações.


Relações perigosas

Em denúncia feita no ano passado, o Hoje em Dia analisou vários contratos com a administração pública dos quais a GN e a Stillus participaram, somando 27, além de contratos sociais de empresas que seriam ligadas ao senador. Na maior parte das licitações aparecem como concorrentes as empresas Unifrigo, Cristalfrigo, Frigorífico Del Rey (Fridel), Frigorífico Calafate, Fricon, Hipercarnes, Multicarnes e Perrella (hoje incorporado pelo Meirelles). Todos eles têm algum ponto em comum, seja a composição societária sejam os endereços.

A Cristalfrigo, por exemplo, já teve como dono Alvimar de Oliveira Costa. Ele entrou na composição societária em 2004. Em 2008, transferiu as cotas a Paulo César de Faria, amigo de Alvimar. Paulo César garante que rompeu com Zezé.