sábado, 2 de novembro de 2013

MG:Morte foi batismo para o PCC,segundo informações da Polícia Civil.


Advogado foi assassinado na porta de casa; atirador seria traficante interessado em entrar para a facção

B-G9R6F
O crime. Cerca de 40 tiros atingiram o carro do advogado; 11 acertaram a vítima, segundo a perícia
PUBLICADO EM 02/11/13 - 09h00
A morte do advogado criminalista Jayme Eulálio de Oliveira, 37, pode ter sido uma “cerimônia de batismo” para entrada na facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O advogado foi assassinado com tiros de fuzil e pistola .40 em 22 de outubro, quando chegava de carro em casa, no bairro Castelo, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Essa é a principal linha de investigação da Polícia Civil, que estaria perto de solucionar o caso.

De acordo com fontes da corporação, o advogado teria sido contratado pelo PCC com a promessa de tirar um dos integrantes da quadrilha de uma penitenciária mineira. Para isso, ele teria recebido uma alta quantia em dinheiro. No entanto, o defensor teria conseguido apenas reduzir a pena do traficante, irritando a organização, que resolveu por sua morte.
O PCC teria encomendado o serviço a um traficante mineiro do bairro Morro Alto, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. Identificado apenas como Du, o suspeito teria assumido o controle do tráfico de drogas na região após a prisão de Flávio Sem-Terra, antigo líder, preso em abril. Du estaria interessado em entrar para a facção paulista.
“Como o serviço do advogado não vingou, a organização impôs, como condição para o ingresso no grupo, que o traficante de Vespasiano matasse o advogado”, explicou uma das fontes. Para executar o serviço, Du teria contratado de dois a seis pistoleiros. Um deles seria um homem conhecido como Totó, único identificado até o momento.
Carro blindado. O grosso calibre das armas, em especial o fuzil, não usado com frequência por criminosos mineiros, seria explicado por um carro blindado que o advogado vendeu há dois meses. Segundo um policial, o criminalista trocou o veículo por outro, do mesmo modelo, mas mais novo e sem a proteção. “No entanto, para os suspeitos, ele continuava com o carro blindado e, aí, para matá-lo, precisariam de armas de grosso calibre”.

Batismo
Cerimônia. Para ser integrante do PCC, o pretendente precisa ser apresentado por um “padrinho”. Se aceito, ele passa por uma “cerimônia de batismo”, orquestrada por um membro mais antigo.

Crime ainda surpreende no meio policial 
Policiais civis ouvidos pela reportagem de O TEMPO afirmaram que a morte do advogado ainda é um motivo de surpresa no meio policial. “O Jayme era muito profissional com todos e nunca teve problema com ninguém, muito menos com os clientes”, revelou um investigador.
De acordo com ele, a prova da tranquilidade do advogado está no fato de ele ter vendido o carro blindado. “Não passava pela cabeça dele ser vítima de um crime assim. Ele estava sempre bem disposto, alegre e feliz com tudo”, contou o policial.(Da Redação)

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